A CHEGADA DO OUTONO
Que coisa estranha , um arrepio : o Sol se encolhe e num abraço frio
Envolve a natureza ; as folhas caem , as lágrimas do orvalho congelam
E as flores de alguns frutos se abrem .É assim que surge o outono ? Talvez . . .De repente morro um pouco : fico estranhamente melancólicoE , sem saber o porque , tudo passa a ter um ar mais bucólico ,
E percebo a morbidez das folhas amareladas a morrer .Nem um olhar para lua cheia brilhante — que há pouco me era enebriante
Me permite mais sonhar . . . Porquê ? ? ?Porque procuro nela o olhar da minha musa bela ,
Não sei bem ao certo , mas que olhar ? ? ?
A lenda da felicidade é cada vez mais utopia ,
Porque as flores não mais as encontramos tal como antes ocorria
Porque as estrelas parecem cada vez mais distantes de nós
Porque ficamos mais introspectivos , parecemos desanimados , menos vivos .Agora vejo este céu cinzento ,
Depois sinto minha alma ficar repleta de fantasmas ,
Fecho os olhos e me recordo do frescor das chuvas de verão ,
Duas sombrinhas caminhando lado a lado ,
Há belos poemas que nascem durante as mais profundas depressões ,
Infernos das profundezas da alma ,
Perdidos nas entranhas deste outono , um pouco de tudo que ficou adormecido
No verão que passou e morre um pouco agora com a chegada desta nova estação .
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
O CABO BRANCO (Soneto)
Flagrado na Ponta-do-Seixas, em João Pessoa [PB], este poema não retrata só a beleza do lugar, mas a missão do país Brasil - com o agravante de estar afixado no local aonde o sol brilha primeiro em todo o continente americano (do Ushuaia ao Alaska, da Terra do Fogo ou Estreito de Gibraltar).
Paulo Miranda teve a sensibilidade de transcender sua obra, em rimas simples (mas não sem profundidade). Ei-lo:
O CABO BRANCO (Soneto)
Soprado pelos ventos de outros mundos,
E gerado na existência de outras eras,
O Cabo Branco, na passagem dos segundos,
Vai assistindo o passar da primavera.
Desafiando a própria natureza,
Sua ponta ligando o continente;
Sublime senhor desta grandeza
Banhado pela luz do sol nascente.
E a sutileza das ondas lhe beijando,
Vai uma, vem outra, se evolando,
Se esvaindo no espaço cor de anil.
E do verde da flora ele se veste,
Recebe o soprar do vento agreste,
Este acidente geográfico do Brasil.
Paulo Miranda
Paulo Miranda teve a sensibilidade de transcender sua obra, em rimas simples (mas não sem profundidade). Ei-lo:
O CABO BRANCO (Soneto)
Soprado pelos ventos de outros mundos,
E gerado na existência de outras eras,
O Cabo Branco, na passagem dos segundos,
Vai assistindo o passar da primavera.
Desafiando a própria natureza,
Sua ponta ligando o continente;
Sublime senhor desta grandeza
Banhado pela luz do sol nascente.
E a sutileza das ondas lhe beijando,
Vai uma, vem outra, se evolando,
Se esvaindo no espaço cor de anil.
E do verde da flora ele se veste,
Recebe o soprar do vento agreste,
Este acidente geográfico do Brasil.
Paulo Miranda
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